Mariana Buratto fala sobre a graduação em Engenharia Civil no Unimetrocamp

Mariana Buratto é ex-aluna do UniMetrocamp | Wyden e atualmente exerce função de professora na instituição. Veja o relato dela sobre a graduação em Engenharia Civil.
 

Mariana Buratto | professora do UniMetrocamp"Me formei em engenharia civil aqui na UniMetrocamp em 2011 e comecei a lecionar em uma escola técnica em 2014, e depois, em 2015 aqui na casa. Ou seja, já são quatro anos em que divido minha identidade profissional entre ser engenheira civil e professora universitária.

Desde a faculdade, me incomodava o fato de que nas seções de engenharias de livrarias e da biblioteca, os livros eram sempre muito técnicos, esquecendo da parte humana da profissão. Como já trabalhava na área desde 2006 (meu segundo ano de faculdade), pude perceber que nossa formação é extremamente técnica, e se esquecia da formação pessoal ou humana. O trabalho do engenheiro era resolver problemas de pessoas! E não aprendíamos nada de pessoas na faculdade! Esse conteúdo ficava sempre na parte de administração ou ciências humanas por exemplo, bem longe da engenharia. Esse incômodo se manteve e foi aumentado assim que comecei a lecionar. Meus alunos passavam pela mesma situação que eu, então primeiramente, decidi que iria fazer um mestrado na área de educação, para tentar responder a essas e outras questões (que não entrarei em mais detalhes aqui, mas se quiserem podemos conversar a respeito). E segundo, surgiu a ideia de fazer um canal no YouTube, com o intuito de levar esse conhecimento, digamos, humano, aos estudantes de engenharia e já formados na área..

Então, visando o desenvolvimento pessoal e profissional de engenheiros, criei o canal no youtube. O intuito é falar tanto de aspectos técnicos da profissão quanto aspectos de desenvolvimento pessoal do ser humano. Acredito que não dá pra ser um tipo de profissional e outro tipo de pessoa. Somos seres unos, interligados, e nossa vida pessoal reflete na vida profissional e vice-versa.

Os conteúdos podem ser tanto os técnicos, quanto de desenvolvimento pessoal, como técnicas de coaching, por exemplo (o qual tenho formação também, pra vocês verem o quanto gosto dessa questão de desenvolvimento pessoal/profissional), que, pelas minhas pesquisas dentro e fora da sala de aula, não são abordadas nos currículos das instituições. Por exemplo, sobre um conteúdo técnico, fiz um vídeo sobre Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que é obrigatório na atuação profissional do engenheiro, mas não é falado na sala de aula, que tem tido uma boa repercussão, e também está em andamento uma serie sobre gestão de carreiras que tenho tido um retorno bem legal.

Isso é relevante para a formação profissional, para o desenvolvimento das habilidades sócio-emocionais dos alunos, tão requerida no mercado de trabalho e atuação profissional do engenheiro. Nosso trabalho é de gente para gente, resolvemos problemas de pessoas e por isso, devemos saber sobre pessoas também! Além disso, saber gerenciar a vida, a carreira, o tempo; saber se comunicar desde o operário até o presidente da empresa; cumprir prazos; saber gerir conflitos são habilidades mais requeridas atualmente e estão intimamente ligadas com o desenvolvimento pessoal. Obviamente, também penso que o conteúdo técnico é extremamente importante e que não deve ser deixado de lado sob hipótese nenhuma. 

Outro ponto importante é que em minhas pesquisas no youtube, os canais que falam sobre engenharia civil são sempre feitos por engenheiros! Muito poucos os que uma mulher se propõe a falar sobre engenharia, e ambos com conteúdo que seja relevante e que ensine algo. Se existe, é sempre no intuito de conteúdo técnico, nunca na "pegada" do autodesenvolvimento. Então, temos também uma quebra de paradigmas aqui: uma vez que as mulheres são minoria na engenharia - na instituição, sou a única professora engenheira civil do curso de engenharia civil - com pesquisas indicando de 25% a 30% de alunas e professores, então também penso estar fazendo um trabalho que ainda é de "formiguinha", mas que precisa ser feito, para que mais mulheres possam escolher a engenharia, seja ela qual for a modalidade.

Obrigada!"
Currículo lattes: acesse aqui  

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