Alto nível de poluição do ar em Manaus afeta a saúde das pessoas e a amazônia

poluição do ar em Manaus

Por Lucas Sairaf, via Rede 4 News

A emissão de poluentes ao redor de Manaus pode afetar a formação de nuvens e alterar o processo de fotossíntese da floresta amazônica. Essa é uma das conclusões de um artigo publicado recentemente na revista Nature Communications.

Um dos autores do artigo, Paulo Artaxo, diz que já era sabido que o processo de urbanização altera a produção de aerossóis em florestas tropicais preservadas, pois tal fenômeno foi observado em regiões como a África e Sudoeste da Ásia. Mas nunca os dados foram tão elevados como na Amazônia.

“Pela primeira vez, conseguimos entender e prever com modelos as concentrações de aerossóis na Amazônia. Já era sabido que os modelos climáticos do hemisfério Norte não se aplicam aos casos da floresta amazônica. Víamos que a conta, baseada nos estudos anteriores, não fechava. Portanto, os resultados dessa nova pesquisa vão trazer maior acuidade aos modelos meteorológicos, assim como à modelagem climática regional e global”, disse Paulo Artaxo em entrevista  à Agência FAPESP

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) realiza diariamente por meio de satélite o monitoramento do ar. Entre 2015 e 2017, por exemplo, um relatório mostrou que a Amazônia alcançou até 444 µg/m3 de material particulado, quando a média brasileira é de 320 µg/m3.

Segundo Artaxo, o aumento dos aerossóis prejudica a base do ecossistema e consequentemente o seu funcionamento. “Nós observamos um enriquecimento enorme por fator quatro da quantidade total de partículas da atmosfera que impacta fortemente no funcionamento do ecossistema amazônico no entorno da cidade de Manaus”, afirmou.

Uma Comissão de Saneamento Básico sobre o monitoramento do ar na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), busca reduzir o consumo de combustíveis fósseis em fábricas do Polo Industrial de Manaus.  Segundo o Deputado Estadual, Sinésio Campos (PT), que preside a comissão, serão feitas visitas técnicas em empresas que emitem monóxido de carbono e também em lixões que utilizam as queimadas como tratamento desses resíduos. 

Além dos efeitos no meio ambiente, a poluição do ar também afeta diretamente a saúde das pessoas. De acordo com a Diretora do Departamento de Informação, Controle, Avaliação e Regulação da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), Aldeniza Araújo, um dos maiores registros de atendimento nas UBS da capital, é a inflamação das vias respiratórias. As crianças de até 15 anos e os idosos são os que mais procuram pelos serviços médicos, por apresentarem imunidade mais frágil e os sintomas como garganta inflamada e tosses.

“Idosos e crianças possuem o sistema imunológico mais frágil, com baixa produção de anticorpos defensores de bactérias, portanto esses sintomas são mais frequentes. Se alimentar bem, comer frutas e legumes ajudam fortalecer o organismo. E quando a incidência de poluição do ar for mais evidente, a recomendação é se hidratar bastante e na medida do possível usar colírio para lavar os olhos”, explicou.

Há pelos menos seis anos, os níveis de poluição do ar no mundo permaneceram altos, segundo dados publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).