Alunos vivenciam experiências voltadas à tecnologia e inovação

Estar imerso num universo de tecnologia e inovação, cercado de aprendizado e desenvolvendo suas potencialidades pode não necessariamente se chamar startup, mas sim, faculdade. Desde 2017, quando passou a funcionar de forma interdisciplinar entre os cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistema, Segurança da Informação e Gestão da Tecnologia da Informação, o Núcleo de Tecnologia da faculdade Martha Falcão | Wyden já fomentou o desenvolvimento de 22 projetos que, na mão dos alunos, vem ganhando mercado justamente como startups.

A maior região em extensão territorial do Brasil, a região Norte vem desenvolvido seu ecossistema de startups nos últimos anos. Atualmente, as 229 empresas mapeadas pelo Startupbase representam 2,5% das existentes no País. O Amazonas é o estado que abriga a maior parte delas: 33%, seguido de %), Pará (22,6%), Tocantins (16%), Acre (10,4%), Rondônia (9,6%),Amapá (6,7%) e Roraima (1,7%). 

O incentivo, quando vem da graduação, tem um diferencial: ajuda a profissionalizar o mercado e poupa tempo no processo de crescer rápido para falhar rápido e chegar ao modelo ideal. “Pelos eventos que a gente já participou vimos que o fato de ser um processo interdisciplinar ajudou a resolver muita coisa: em um semestre conseguimos delimitar quem o nosso público, qual era o nosso negócio qual o nosso foco. Vimos algumas startups com dois ou três anos e que ainda não tinham nada disso. Não sabiam nem em quê precisavam investir”, afirma Daniel Oliveira Alves, um dos autores do projeto Level Refil, juntamente com Leônidas Oliveira de Lima e Aldhemir Thiago Silva de Macedo. “Graças às metodologias que o professor trouxe, abrimos a mente, aprendemos a ter foco e definir um caminho”, completou. O Level Refil foi selecionado para integrar SebraeLab, uma encubadora voltada ao estímulo à criatividade, à inovação, ao consumo de informações, à geração de novos conhecimentos, ao aprendizado contínuo e às múltiplas conexões nos negócios.

Idealizador do projeto interdisciplinar, o professor Orlewilson Bentes Maia, doutor em Engenharia Elétrica, é categórico ao afirmar: a parceria com experiências que vêm do mercado agrega muito ao processo de trabalho que consiste nas etapas de concepção da ideia, desenvolvimento, teste, validação e apresentação. “Convidamos profissionais para avaliá-los e passar o feedback para eles. Dessa forma temos prática e teoria caminhando juntos com eficácia”, afirma. Ele e a professora Francisca Sancha são os responsáveis por orientar os alunos.

“A gente adquire muito conhecimento extra, aprendemos bastante durante todo o processo. Começamos sem muito direcionamento e depois de muita pesquisa e direcionamento da faculdade, conseguimos praticamente finalizar o projeto. Hoje, estamos apenas fazendo algum aperfeiçoamento na interface do usuário”, afirma Wendell Martins do Nascimento, co-autor do aplicativo Doe +, desenvolvido em parceria com Aram Lima Bastos, Cleiton Guimaraes Pimentel e Helder Vinicius Silva de Sousa.

Para Marcelo Henrique dos Santos, se não tivesse colocado a “mão na massa”, não teria aprendido outras coisas não relacionadas à área de tecnologia como, por exemplo, identificar o público, planejamento, marketing, entre outras habilidades necessárias. “Muito difícil hoje você ter uma disciplina que mostra como iniciar um projeto e como ele funcionaria no mercado de trabalho. Vim de outra instituição e não tinha projeto prático; é bem diferente”, afirma.  Ele e a equipe formada por Bruna Tatiane Farias Ferreira, Edmo Nascimento de Oliveira e Roger Mário Tavares Monteiro são responsáveis pelo aplicativo Help Car, que agrega serviços de guincho e outros socorros aos motoristas em pane.

Conheça um pouco mais sobre os projetos

O aplicativo Doe + foi um dos primeiros do Núcleo de Tecnologia da faculdade Martha Falcão | Wyden e nasceu com o propósito de resolver o problema de conexão entre demanda e oferta do universo da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam). “Vimos uma notícia de que o hospital estava precisando de doações e queríamos melhorar esse cenário. Hoje, no Brasil, menos de 2% da população doa sangue e isso é plenamente resolvível”, afirma Helder Vinicius Silva de Sousa.

O software aborda basicamente os seguintes pontos: campanhas de doação (que atualmente não têm uma plataforma agregadora e acabam pulverizadas nas redes sociais de parentes e amigos dos pacientes necessitados), carteirinha digital com nome, CPF, quantidade de doações e que, futuramente ganhará pontuação e bônus e opção para consulta sobre se a pessoa está apta à doação. Um leitor de QR Code, controlado pela instituição, valida as doações realizadas.

Já o aplicativo Help Car começou com o nome de “Cadê meu guincho?”, ainda em 2018, mas evoluiu a partir da identificação do foco e do público atendido. É voltado para motoristas em pane seja de gasolina, troca de pneu ou problema mecânico. Funciona como um uber de serviços mecânicos e guinchos onde o usuário cadastra o cartão para a realização do pagamento sem a necessidade de ter dinheiro em espécie e emite a localização para que os prestadores de serviço enviem o socorro. Foi projetado para funcionar em plataforma híbrida (Android e IOS) para abranger o maior numero de usuários.

“Fizemos uma pesquisa de campo pra poder verificar qual era a dificuldade das pessoas que iriam usar nosso serviço, e aí colhemos ideias, sugestões, entre outras coisas”, explica Bruna Tatiane Farias Ferreira.

“Aprendi técnicas fora das disciplinas e aprendi a perguntar, por exemplo: ‘isso aqui vai servir para atender a necessidade do usuário? Fazer estudo de mercado e pensar na solução do cliente e com o cliente”, afirma Edmo Nascimento de Oliveira.

A questão que o app Level Refil se propõe a resolver é medir o nível de qualquer refil, em qualquer recipiente e emitir notificação da necessidade de troca. O software serve, por exemplo, para controlar o estoque a troca de garrafões de água de uma grande empresa ou órgão público, por exemplo. “Foi durante o meu estágio, observando o senhor que carregava um carrinho com vários garrafões e saía checando um por um, que percebi essa necessidade. A ideia não nasce do nada, nasce da necessidade de solucionar algo”, conta Leônidas Oliveira de Lima. “O que aprendi é a ter foco, e a ideia não nasce completa, ela nasce por partes. Um exemplo concreto disso é o WhatsApp: a primeira funcionalidade era apenas mandar a mensagem e só.  Aprendemos também a começar num pedaço pequeno pra poder validar nossa ideia com cliente começar realmente a trabalhar”, completou.

Aldhemir Thiago Silva de Macedo aprendeu, por exemplo, a vencer a timidez na marra. Em uma imersão no processo de encubação, todos os membros tiveram contratempos e, coube a ele, o que menos falava, defender o projeto. “A parte comunicativa agregou muito até pra falar entre os colegas, isso eu consegui aprender”, explica.

“Legal é que desenvolvemos coisas que a gente nem pensava; tivemos que ir pra rua vender nosso projeto para ver se era viável. Programador é bom no computador, mas para falar, não. Todo mundo pensa que é só a parte técnica mas agregamos um pouco de planejamento, gerenciamento do projeto, um pouco de negócio, de marketing, como fazer pitch, a se comunicar”, lembra Daniel Oliveira Alves.

“Eu pensei várias vezes em desistir porque tem que ter muita dedicação; é a sua vida que está ali. Hoje já consigo me sentir focado e em busca de mais. Temos uma empresa juntos, aprendi que o importante é respeitar as diferenças e saber o que o outro é humano, sempre deve prevalecer o respeito e a humanidade”, afirma Leônidas Oliveira de Lima. 

 

Relacionadas

Alunos de Tecnologia da Martha Falcão | Wyden
Adtalem Educacional do Brasil ganha prêmio por inovação em TI